Nossa, que abraço bom, o cheiro do perfume, a suavidade das mãos em minhas costas, o carinho discreto com as pontas dos dedos, alguns fios de cabelo deixados na minha roupa. Nossa, que abraço bom.
O abraço dado com carinho, respeito, admiração. Abraço de consolo nas horas difíceis e de alegria, comemoração nas horas boas. O abraço que expressava todos os sentimentos, aquele que nunca poderia faltar. Que fazia as reconciliações e voltava a nos trazer a paz, que tranqüilizava e fazia com que meu sono fosse mais leve, aquele que nas noites frias servia para diminuir o frio e já transparecia a preocupação e o querer bem. O abraço que dinheiro nenhum compra, que ninguém além dela sabe dar igual, o abraço que me acolheu a vida toda, me fez sentir amado, o abraço que me ensinou a amar e a perceber o quanto isso é importante. O abraço que após sessenta anos da minha vida eu não posso mais dar, pois ele amenizava a dor mas ainda não havia o poder da cura.
Hoje, no dia do enterro do meu amor, recebo abraços sinceros na tentativa de amenizarem o que estou sentindo, mas, nada nesse momento é capaz disto. Sei que vai passar, a vida é assim. Por um instante senti sua presença, e o calor do nosso abraço, logo passou e sorri pois foi como se ao menos eu tivesse tido a chance de me despedir.
E aqueles de uma geração mais nova no qual tanto me preocupo e quero bem digo: abracem, apaixonem-se, sem se importar com o tom da pele, o peso, a conta bancária. Simplesmente vivam e dêem valor as pequenas coisas da vida, que com certeza vocês serão feliz e saberão o real significado da palavra amor.